A propaganda republicana em São Paulo

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I – ANTECEDENTES

São Paulo, no ano da proclamação da República, era a Província, que abrigava o maior número de republicanos.

Mas, isto não se deu da noite para o dia.

Desde o tempo em que frequentavam a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, entre os anos de 1.855 e 1.863, os irmãos, Américo e Bernardino de Campos, faziam parte de um grupo de estudantes, que entendiam ser a República o melhor sistema de governo.

Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, São Paulo, 1887

Em aulas administradas pelos mestres das Arcadas, tiveram seus primeiros contatos com as diversas teorias sociais, como as de Rousseau, Spencer e Kant, com os conceitos impressos na Constituição da América do Norte, com os princípios adotados pela Revolução Francesa de 1789 e com o exemplo de governos implantados nas recentes Repúblicas da América Latina, principalmente na Argentina.

Mas, a teoria, que mais encetava debates sem fim, era a novidade trazida da França, conhecida como Positivismo.

As ideias de seu criador, Auguste Comte, incendiaram o pensamento dos estudiosos, no Brasil, que as elegeram como um caminho, para transformar a sociedade, adotando-se um sistema de governo democrático.

O Positivismo adotava, como método de estudo, a investigação dos fatos da existência, para chegar-se ao conhecimento. A meta era o estudo, a ilustração, o conhecimento científico.

Auguste Comte

Para Bernardino, a doutrina positivista caiu como uma luva.

A generosidade, o amor pelo próximo, que o levava a abominar a escravidão; o desejo do conhecimento, que o levava a pensar que todas as pessoas, assim como ele, deveriam ter a oportunidade de alcança-lo; a ordem, que impunha a seus atos, visando atingir seus objetivos, tanto na vida profissional, como no familiar, eram traços de sua personalidade, que o conduziram a estudar, com profundidade, a doutrina na qual encontrou grande afinidade de pensamento.

Contudo, de acordo com a sua índole, onde predominava o bom senso e a reflexão, não acompanhou o comportamento dos pensadores positivistas ortodoxos, que, mais tarde, levaram o Marechal Deodoro a dissolver a Assembléia, para tornar-se um ditador.

Bernardino não aprovava, que o exército integrasse a chefia do Poder Executivo, mas quando o partido republicano, em sua maioria, elegeu o Marechal Deodoro, para ser o primeiro presidente da República e ter Floriano Peixoto como vice, sua fidelidade partidária aceitou a escolha, embora contrariado. Era um admirador do General, tanto que o homenageou, dando a um de seus filhos o nome de Deodoro. Mas, quando Deodoro pretendeu dar um golpe na Democracia, liderou uma revolta, em São Paulo, que obrigou o primeiro Presidente da recém proclamada República a renunciar.

Os acadêmicos do Largo de São Francisco tinham, como tradição, abraçar as causas, que afligiam o povo brasileiro, procurando achar soluções, dentro do estudo do Direito.

Como em uma corrida de revezamento, cada turma passava à outra, mais jovem, esse costume, de se envolverem em debates filosóficos e políticos.

CONVERSAS À LUZ DO LAMPIÃO

Conversas à luz do lampião - fotógrafo Militão
Fotógrafo: Militão Augusto de Azevedo

Que momentos inesquecíveis viviam aqueles moços, cheios de ideais e sonhos quando, nos intervalos das aulas, ou mais tarde, reunidos sob as tênues luzes dos lampiões, no Largo de São Francisco, ou nas “repúblicas”, onde moravam, discutiam, horas a fio, qual seria a melhor forma de governo para o Brasil.

A eles, se juntavam os monarquistas conservadores ou liberais, formando grupos, onde turbilhões de novas ideias surgiam, fortalecendo convicções e pensamentos, que os acompanhariam, por toda vida.

foto de Jean Georges Renouleau
Faculdade de Direito de São Paulo 1880. Foto de Jean Georges Renouleau

Nunca mais se veria um grupo de estudantes tão unidos e destinados a tão altos desígnios, a tão revolucionários propósitos.

Naquele solo privilegiado, se encontravam, geração após geração, os jovens que, mais tarde, com destemor, mudariam os destinos do Brasil.

Na época em que Bernardino e Américo ali estudavam, cursaram também as aulas de Direito, entre muitos outros, os futuros demolidores da Monarquia e construtores da República, Manoel Ferraz de Campos Sales, Prudente de Moraes, Francisco Glicério, José Pinto do Carmo Cintra, Francisco Rangel Pestana, Flávio Farnese, António Bento de Souza e Castro, Jorge Ludgero de Cerqueira Miranda, Afonso Celso de Assis Figueiredo, José Alves de Cerqueira Cesar, Salvador Mendonça, Antônio Manoel dos Reis, companheiros para toda a vida.

Luís Gonzaga Pinto da Gama
Luís Gonzaga Pinto da Gama

Entre eles, participando do convívio acadêmico, encontrava-se Luiz Gonzaga Pinto da Gama, dono de uma verve especial, espirituoso, irônico, crítico mordaz, que se juntava radicalmente à ala abolicionista, dando-lhe razões fáticas, do porque não se podia tolerar a escravidão.

Luiz Gama frequentava as aulas como ouvinte pois, pela situação esdrúxula de ter nascido livre, mas ter sido vendido como escravo pelo próprio pai, só lhe foi possível alfabetizar-se aos dezesseis anos e por apenas um ano, pela generosidade de um amigo.

Queria ser advogado. para defender seu povo, que sofria as maiores injúrias, sem alguém, que se dignasse a socorre-lo.

Havia tentado matricular-se, mas, infelizmente, verificou, que não possuía a formação escolar necessária, para isso. De acordo com os estatutos, que regulamentavam a matrícula, havia a exigência do candidato prestar um exame e ser aprovado, nas línguas latina e francesa e no conhecimento de retórica, filosofia racional e moral, aritmética e geometria.

Há muito pouco tempo, que aprendera, apenas. a ler e escrever.

No entanto, não desistiu de seu sonho.

Ao chegar em São Paulo, fugido da escravidão, o menino, odiosamente escravizado, pelo abandono da mãe e mau caráter do pai, alistou-se no exército, onde teve a sorte de ter sido nomeado como ordenança do Conselheiro Francisco Maria de Souza Furtado de Mendonça que, além de Chefe de Polícia de São Paulo, era Professor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

O Professor se tocou com a história do rapaz e, sabendo do seu desejo de estudar Direito, conseguiu, que tivesse autorização, para frequentar as aulas, como ouvinte.

Foi assim, que o grande abolicionista, esforçado autodidata, dono de uma inteligência superior, embora não tenha recebido o diploma de bacharel, adquiriu a condição de poder advogar, como rábula, o que fez com brilhantismo. Conseguiu ganhar muitas causas, que tinham, como objeto, alcançar a liberdade dos cativos, que o procuravam.

Francisco Peixoto Gomide
Francisco Peixoto Gomide

Naquele território, que foi frequentado pelos maiores abolicionistas do país, não foi, como dizem, por discriminação, que não aceitaram a matrícula de Luiz Gama, mas pela razão de não possuir o conhecimento das matérias exigidas, para acompanhar o curso, constante na regulamentação da lei. que criou os Cursos Jurídicos, em 11 de agosto de 1827. Condição válida até os dias de hoje, nos chamados vestibulares. Mas a isto ele superou, requerendo a licença de acompanhar as aulas como ouvinte.

Antônio Bento de Souza e Castro
Antônio Bento de Souza e Castro, Chefe dos Caifazes

Alguns alunos, matriculados em anos posteriores, também faziam parte desse grupo, como Francisco de Peixoto Gomide, Antônio Augusto Bittencourt, António Bento de Souza e Castro, Antônio Muniz de Sousa.

 

 

 

 

II – A PROPAGANDA REPUBLICANA E ABOLICIONISTA

Alguns propagandistas da República

De pé: Jorge Tibiriçá, Campos Sales, Quintino Bocaiúva. Sentados: Rodolfo Miranda, Francisco Glicério e Rangel Pestana.
De pé: Jorge Tibiriçá, Campos Sales, Quintino Bocaiúva. Sentados: Rodolfo Miranda, Francisco Glicério e Rangel Pestana.

Esses bacharéis, mesmo seguindo caminhos diferentes, seriam os maiores propagandistas republicanos. Uns, com um comportamento mais revolucionário, outros, mais conservadores, e outros ainda, mais prudentes, à espera de uma oportunidade, para que se fizesse a mudança do regime governamental, da maneira mais pacífica possível.

Os estudantes acompanhavam, com admiração, a defesa das ideias republicanas, propagadas em jornais e panfletos, que chegavam da Corte. Principalmente as produzidas pelos políticos e jornalistas, Saldanha Marinho, Aristides Lobo, Quintino Bocaiuva e pelo professor da Escola Militar, o Tenente-Coronel Benjamim Constant.

Tenente-Coronel Benjamim Constant
Tenente-Coronel Benjamim ConstantO Pai da República

Também, do mesmo modo, passavam, de mão em mão, entre os estudantes, as tradicionais publicações das províncias, que sempre abraçaram a causa republicana, como a de Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão, Rio Grande do Sul, Bahia.
Assim preparados, os bacharéis paulistas, após a proclamação, seriam os líderes de sustentação do novo regime.
Havia divergências em muitos pontos. Uma, das mais polêmicas, era a que havia entre os que entendiam que, à luta da causa republicana, deveria se juntar a causa da abolição da escravatura. A maioria concordava com a necessidade de uma mudança no sistema de governo, antes de tudo. A Abolição viria como consequência.

Os estudantes procuravam estar sempre a par dos acontecimentos, que se desenrolavam no Rio de Janeiro, principalmente quanto aos métodos da propaganda republicana, que, cada dia mais, conquistavam entusiasmados adeptos.

Quintino Bocaiúva
Quintino Bocaiúva

Assim, os novos bacharéis, ao receberem seus diplomas, combinaram não perder o contato, e implantarem, em suas cidades, os mesmos métodos de propaganda empregados pelos cariocas. para que seus ideais não morressem ali.

Cada um, em suas cidades, nas rodas sociais, que frequentavam, passariam adiante aqueles princípios, que acreditavam ser o melhor caminho, para o crescimento do país.

A propaganda, que já se infiltrara profundamente no Exército, seria o único caminho, para alcançar suas metas, de conscientizar a população da província, descontente com a política dos Gabinetes, que não atendiam suas necessidades e com a falta do direito de escolha de seus governantes.

Isso se faria, principalmente, mediante aulas aos mais desassistidos, palestras, publicações em jornais e panfletos e, com a criação de clubes, para reunião dos que aderiam à causa.

E, sobretudo, prometiam não deixar de se corresponder, por carta, para informar, uns aos outros, a marcha dos acontecimentos, em suas cidades.

III – A TRAGÉDIA

Bernardino José de Campos Jr, ao se formar, em dezembro de 1863, voltou a Campinas, cidade onde fora criado, e começou a advogar no escritório de seu pai, que desejava a companhia do filho, para o auxiliar em suas causas e o treinar na prática do Direito.

Américo de Campos, formado em 1860, já era promotor público em Itu.

Os irmãos, um em Campinas, outro em Itu, estavam sempre em contato com os bacharéis Campos Sales, Glicério, Francisco Quirino e outros habitantes de Campinas, e, em outras cidades do interior paulista, como com o boticário Francisco de Assis Santos Prado, em Amparo, com Prudente de Moraes em Piracicaba, Alfredo Ellis, médico em São Paulo e dono de uma das mais produtivas fazendas de café, em São Carlos e, principalmente, com Américo Brasiliense, em São Paulo.

Depois de combinadas as estratégias, iniciaram a propaganda, objetivando a mudança do regime monárquico, para o da República.

Davam palestras, administravam aulas, colaboravam nos jornais, sempre pregando os princípios republicanos, levando ao povo o conhecimento necessário, para poderem avaliar as vantagens de uma mudança do regime monárquico, por outro baseado na Igualdade e na Liberdade.

Contudo, uma tragédia aconteceu.

BERNARDINO JOSÉ DE CAMPOS Pai de BERNARDINO
Bernardino José de Campos, pai de Bernardino de Campos Jr

O pai dos dois ativistas republicanos e abolicionistas, Bernardino de Campos, ao tratar do inventário de sua filha, que ficara viúva, teve um desentendimento com um parente do morto. Este, inconformado por perder a causa, tratou um pistoleiro para matar o brilhante advogado, que defendia os direitos da irmã e dos sobrinhos. Ao sair do teatro São Carlos, em uma noite festiva, quando a população comemorava a festa dos Santos Reis, no dia seis de janeiro de 1864, foi atingido por um tiro traiçoeiro e fatal.

Bernardino tinha apenas 23 anos e Américo, 26.

Inconformados, Bernardino e Américo terminaram os processos do pai e fecharam o escritório, em Campinas. Américo se exonerou do cargo de promotor público e, naquele mesmo ano, foi para São Paulo, para se encontrar com Luiz Gama e Américo Brasiliense e, com eles, traçar a linha de ação, para a propaganda abolicionista e republicana, nos moldes do que já se fazia no Rio de Janeiro.

IV – MUDANÇA PARA AMPARO
AMPARO ANTIGO(Arq Museu Histórico PedagógicoBernardino de Campos, Amp SP)
Amparo antiga (Arq. Museu Histórico Pedagógico Bernardino de Campos, Amparo/SP

Ao ver o mandante do assassinato de seu pai, julgado e condenado, andar pela cidade, em liberdade, por ter conseguido um habeas corpus, acompanhado de capangas armados, entre os quais se encontrava o executor do crime, Bernardino ficou indignado e, com seu irmão e alguns amigos, certa noite, todos empunhando tochas, puseram fogo nas plantações da fazenda do assassino. O Major José de Camargo, grande amigo de seu pai, prevendo que o caso poderia se tornar em uma tragédia maior, o aconselhou a mudar-se de Campinas, sugerindo que concorresse a uma vaga de promotor, que se abrira na vizinha cidade de Amparo.

Bernardino decidiu aceitar a sugestão, apoiado por seus amigos Campos Sales, Glicério, Francisco Quirino e Francisco de Assis Santos Prado, que o incentivaram a lá continuar a propagar as ideias abolicionistas e republicanas, como já fazia em Campinas.

Casado no mesmo ano da morte de seu pai, com Francisca de Barros Duarte, já tinha um filho, de poucos meses Carlos e, confiantes, partiram para Amparo.

Poder-se-ia dizer, que o destino resolveu criar caminhos, que, como um imã, atraiam as pessoas a se dirigir àquelas terras fecundas, que rodeavam uma capela, dedicada a Nossa Senhora do Amparo, às margens do Rio Camanducaia,

Cidade nova, com boas perspectivas de trabalho, habitada por famílias que vieram de Bragança, Nazaré Paulista, Mogi, Campinas, Atibaia, para abrir fazendas e, que fizeram de Amparo o lugar onde vicejavam os mais amplos cafezais do Brasil.

Seus pioneiros, com seu trabalho de cultivar a terra, abrir ruas, edificar escolas, casas de moradia, de saúde e de comércio, concorreram para que, entre 1824 a 1865, em um período de apenas 40 anos, a simples capela de um bairro afastado de Bragança, que nem cura tinha, fosse elevada para capela curada e, logo após, a freguesia, a vila e finalmente a cidade.

Logo que chegou, Bernardino procurou José Pinto do Carmo Cintra, seu amigo e colega da Faculdade do Largo de São Francisco, onde sempre mantiveram longos papos sobre a política e os problemas brasileiros.

José Pinto do Carmo Cintra
José Pinto do Carmo Cintra

José o recebeu com muita alegria e logo lhe apresentou seu pai, Joaquim Pinto de Araújo Cintra, futuro 3º Barão de Campinas, e os amigos, com quem convivia na cidade, como Joaquim e Francisco Franco da Rocha e o Coronel Luiz de Souza Leite.

Lá já se achava há dois anos, estabelecido com sua botica. o amigo campineiro Francisco de Assis Santos Prado,

O povo de Amparo acolhia gentilmente os novos moradores, sentindo-se homenageado pela escolha, que esses faziam da sua cidade, para fixar residência e trabalhar.

Amparo progredia a todo vapor e era conhecida pelos modernos empreendimentos de urbanização implantados, muitas vezes, por seus habitantes.

CORONEL LUIZ DE SOUZA LEITE
Cel. Luiz de Souza Leite

O Coronel Luiz de Souza Leite, um dos seus maiores benfeitores, chegou a ali instalar, a suas expensas, o sistema de abastecimento de água e de esgotos.

No começo da República, foi também o responsável, junto ao governo do Estado pela criação, em sua cidade, de um dos primeiros grupos escolares do País.

Sempre atento às necessidades do lugar, em 1892, assim que teve a grata notícia que seu velho amigo Bernardino de Campos fora nomeado Presidente do Estado, dirigiu-se a São Paulo, para fazer as tratativas para instalação na cidade de um dos módulos escolares criados com a grande reforma do ensino, encetada pelo novo Governo. Em 1894, já estava a Escola implantada e funcionando, uma das primeiras do Estado e da nova República.

Os Grupos Escolares do Estado de São Paulo eram escolas estruturadas, nos moldes europeus, voltadas para o ensino primário e que se tornaram referência, para os demais estados brasileiros.

A instrução pública, a cultura e ciência, assim como a higiene e saúde, foram as metas principais da administração de Bernardino de Campos, atingidas com êxito, fator do grande desenvolvimento alcançado pelo Estado de São Paulo.

Joaquim Pinto de Araújo Cintra, de família oriunda de Atibaia, em 1824 deu origem à construção da Santa Casa, cujo nome homenageia sua mulher, Ana Cintra

Joaquim Pinto de Araújo Cintra
Joaquim Pinto de Araújo Cintra

Também, com a inauguração da Estação da Mogiana, emprestou o dinheiro para a Prefeitura abrir uma rua, para facilitar o acesso dos viajantes, com comodidade.

Seu filho , José Pinto do Carmo Cintra, construiu, em 1890, o Teatro João Caetano, sob encomenda ao engenheiro Garcia Redondo e decoração por Benedito Calixto.

Outro cidadão de Amparo, Comendador Zeferino da Costa Guimarães cedeu, gratuitamente, terrenos para a construção dessa estação ferroviária, inaugurada em 1875.

O “Grêmio Português de Beneficência” – hospital fundado pela colônia portuguesa de Amparo em 13 de março de 1892, teve à frente Alberto dos Santos Corrêa, Bernardino Alves de Sousa, Manuel Maria Heitor, João Bernardo Sobrado, o comendador Manuel José Gomes e outros amparenses.

Padre Antônio José Pinheiro, natural de Taubaté iniciou sua vida religiosa como diácono em Amparo, onde depois, de 1860 até 1888, foi vigário.

Conta-se que era uma pessoa boníssima e caridosa.

Ainda como estudante, recebeu notícias de que havia um surto de varíola no Seminário de São Paulo, onde estudava um amigo. Pediu licença e se dirigiu ao local onde estavam internados os doentes, dedicando-se a trata-los. Como resultado, adquiriu, também a doença.

De outra feita, recém egresso do Seminário, servindo em Amparo, foi chamado à Capital, para prestar os exames perante o bispo, último degrau para receber as Ordens Sacerdotais.

Assim que chegou, teve conhecimento de um surto de varíola no Amparo. Imediatamente pediu licença ao bispo, para adiar seu exame e voltou, para ajudar a tratar os doentes da cidade, que já considerava sua.

Debelada a doença, voltou então para São Paulo, para fazer seu exame e receber as Ordens Sacerdotais.

Outro exemplo da qualidade do espírito público dos amparenses, foi a colaboração de sua gente para a formação do Jardim Público, quando todos se juntaram e contribuíram com o dinheiro necessário para o ajardinamento.

Muitos outros amparenses colaboraram, voluntariamente, com o que fosse necessário para a cidade.

José Eduardo Pimentel de Godoy, em sua magnífica obra “OS AMPARENSES” nos informa que, em “7/11/1884 – José Francisco de Godoy, natural de Bragança, viúvo, sem filhos, morador no Bairro dos Rosas, lega por testamento 20$000 para as obras da Matriz de Amparo, além de missas por sua alma”.

A instrução de suas crianças era muito prezada pelos habitantes e a procura por boas escolas propiciaram o aparecimento de variadas instituições de ensino.

Alice, a filha mais velha de Bernardino, casou-se com o Professor Ângelo José Araújo, de família vinda de Campos, RJ, que fundou, em 1886, o “Instituto Amparense”, colégio de instrução primária e secundária, para o sexo masculino.

Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Catedral da cidade de Amparo/SP Foto do Portal da Diocese de Amparo
Igreja de Nossa Senhora do Amparo, Catedral da cidade de Amparo/SP Foto do Portal da Diocese de Amparo

Uma das mais antigas demonstrações do desejo de colaborar com o desenvolvimento da cidade, foi a doação de um terreno, por um de seus primeiros moradores, José Bueno da Cunha, por volta de 1850, para construção de uma igreja consagrada a Nossa Senhora do Amparo. Mais tarde, Dona Ana Cintra, esposa do Barão de Campinas, doou a imagem de Nossa Senhora, encomendada na cidade do Porto, que hoje é venerada, no altar da Matriz.

Da porta da casa onde morava, na rua XV de Novembro, Bernardino, virando-se para a direita podia ver essa imponente Igreja, em estilo neoclássica, consagrada como Matriz.

Bernardino já morava na cidade, quando a sua construção terminou. Ali batizou 13 de seus 16 filhos e assistiu o casamento de dois. Mário, com Jacyra, filha do Juiz Campos Pereira e Alice, com Ângelo José Araújo, o simpático e instruído professor, que fundou o “Instituto Amparense”.

Ainda de sua porta, virando-se para a esquerda, Bernardino tinha, ali muito perto de si a linda Igreja do Rosário.

Igreja do Rosário
Igreja do Rosário

José Ortiz de Camargo Bichinho, humilde carroceiro, foi quem construiu a Igreja de São Benedito.

Igreja São Benedito
Igreja São Benedito

V- BERNARDINO JOSÉ DE CAMPOS JR E A PROPAGANDA REPUBLICANA EM AMPARO

Bernardino, logo deixou a carreira de promotor e abriu um escritório de advocacia, para melhor seguir sua vocação. Formou sua família, sempre crescente, dezesseis filhos ao todo, dos quais treze nasceram em Amparo. Ali morreram três filhos, ainda pequenos, Francisco, Fausto e Pérsio.

Por carta, nunca deixou de se comunicar com Américo, o querido irmão com quem repartia seus sonhos, companheiro de luta pelos mesmos ideais. Pedia a Américo que lhe enviasse livros e jornais, para estar sempre a par do que acontecia no Brasil e no mundo.
Acompanhou com orgulho o desempenho do irmão em São Paulo, com a fundação do jornal “O Diabo Coxo” e depois com “O Cabrião” e “O Coaracy”.

Lia os editoriais que o irmão escrevia no “Correio Paulistano” e, muitas vezes, enviou colaborações.

Escrevia a seus velhos companheiros das Arcadas e colocava no papel, as estratégias que imaginava, para não deixar morrer a ideia de transformar o Brasil em uma República, onde cada município, por mais longínquo que fosse, tivesse uma escola, tratamento de saúde para seu povo e, acima de tudo, para que fosse abolido o trabalho escravo, execrável, abominável, criminoso ato, que ele não admitia pudesse ser aceito com tanta naturalidade, no Brasil.

Bernardino fez muitos amigos e gostava de convida-los a frequentar sua casa, onde as conversas sempre recaiam sobre política.

Era o tema que Bernardino mais gostava de discutir, e as questões sobre o declínio do sistema monárquico de governo com suas mazelas sempre vinha à tona.

E aí, Bernardino e José Pinto do Carmo Cintra expunham, como solução para o desenvolvimento do Brasil, as ideias e princípios que norteavam o sistema Republicano de Governo, como foram absorvidos na Faculdade de Direito.

A maioria dos presentes logo abraçaram esta causa, mas a discussão não era tão pacífica assim, quando Bernardino expunha sua convicção de que uma República não poderia subsistir em uma Nação que abrigava, em seu solo, protegida pela lei, a exploração de homens trabalhando em cativeiro.

Implantar ideias de abolição do trabalho escravo, em Amparo, não seria uma tarefa fácil.

A pujança da cidade vinha das imensas plantações de café, que exigiam uma grande força de trabalho. Achavam os fazendeiros que, sem o braço escravo, as lavouras não subsistiriam. Seria a bancarrota da cidade, da Província de São Paulo e, consequentemente, do Brasil.

Alguns fazendeiros chegavam a dizer que “não entendiam a razão de libertar seus escravos, pois eles eram muito bem tratados em sua fazenda, moravam bem e se alimentavam com fartura. Libertos iriam para onde? O que seria deles e de suas famílias? Muitos haviam nascido ali e não conheciam outra vida.

Ao se estudar a história do nascimento do Partido Republicano, no Brasil, observa-se que, aqueles que a ele aderiram, nem sempre tinham as mesmas razões, os mesmos interesses e objetivos.

O CABRIÃO – jornal satírico fundado por Américo de Campos e Angelo Agostinho – desenho de Angelo Agostini. Liberais X Liberais Radicais. Luiz Gama empunha a bandeira. Ao lado, de braços cruzados, Américo de Campos.
O CABRIÃO – jornal satírico fundado por Américo de Campos e Angelo Agostinho – desenho de Angelo Agostini. Liberais X Liberais Radicais. Luiz Gama empunha a bandeira. Ao lado, de braços cruzados, Américo de Campos.

Alguns membros do Partido Liberal, os chamados Liberais Radicais, combatiam o sistema que vigorava na época e passaram a abraçar os princípios republicanos. Pregavam a total Liberdade de expressão dos cidadãos e o direito de escolherem seus dirigentes.

Pregavam também, a Igualdade de todos perante a Lei e a necessidade de um governo composto por representantes do povo.

VI – O CLUBE REPUBLICANO DO RIO DE JANEIRO

Pela leitura dos jornais que lhe chegava às mãos, vindos de todo país e, principalmente o “Opinião Liberal” e o “Correio Nacional”, editados por membros do Partido Radical do Rio de Janeiro, e pela correspondência constante com militantes republicanos, Bernardino estava sempre a par do que acontecia no País.

JORNAL A REPÚBLICA, nº 1 de 3 /12 /1870
Jornal “A REPÚBLICA” edição nº 1 de 3 /12 /1870

Bernardino ficou empolgado quando recebeu da Corte notícias de seu velho companheiro da Faculdade, Flávio Farnese, que lhe informava terem os membros do Partido Radical do Rio de Janeiro fundado, em 3 de novembro de 1870, um clube denominado Clube Republicano, para trabalharem em prol da transformação do governo brasileiro.

Junto com a notícia recebeu o exemplar número 1 do jornal “A República”, fundado em 3 de dezembro de 1870, para dar suporte aos cinquenta e sete membros, dissidentes do Partido Liberal que, de monarquistas, passaram a ser os fundadores do Clube Republicano do Rio de Janeiro.

Além de Salvador de Mendonça, contava entre seus membros figuras como Quintino Bocaiuva, Joaquim Saldanha Marinho, Aristides Lobo, Lafayette Coutinho, Pedro Soares de Meirelles e Flávio Farnese.

A primeira página do jornal, mostrando uma ousadia imensa, trazia, em destaque, o chamado Manifesto de 1870, que proclamava, como base de seu posicionamento e de suas reivindicações, a necessidade da implantação de um sistema republicano e democrático de Governo.

Bernardino, emocionado, ansioso, saiu apressado para mostrar o jornal para os amigos mais íntimos. Todos perceberam que aquele era o momento de solidificar a propaganda dos princípios republicanos.

Naquela mesma semana, Bernardino partiu para São Paulo, para combinar, com os correligionários da capital da Província, como agir em face das proposições contidas no Manifesto Republicano. Hospedou-se, como sempre fazia, na casa de seu irmão Américo.

AMÉRICO BRASILIENSE DE ALMEIDA MELLO

Americo Brasiliense de Almeida Mello
Américo Brasiliense de Almeida Mello

Américo Brasiliense lhes deu conhecimento do conteúdo do Manifesto estampado no jornal “A República” e após alguns debates decidiu-se acatar o pedido feito pelo presidente do clube de que “já era tempo de começarem a agir, promovendo cada um o movimento republicano, em sua localidade, no sentido de darem impulso ao movimento iniciado no Rio, com a publicação do Manifesto Republicano.”

Souberam que o Jornal havia sido empastelado por um grupo de monarquistas, com apoio da polícia, e que Salvador de Mendonça e Saldanha Marinho haviam por isso resolvido fechá-lo.

Os paulistas não aceitaram essa decisão.

Américo de Campos, como secretário do Clube Liberal Radical, ficou encarregado de elaborar um ofício dirigido ao Clube Republicano do Rio de Janeiro, dando todo apoio ao movimento e dizendo que os Republicanos de São Paulo não abandonariam sua luta e lhes dariam todo apoio que fosse necessário.

Da mesma missão, representando a cidade de Amparo, ficou encarregado Bernardino de Campos. Não era hora de recuar.

Ficou combinado que Bernardino Iria tomar as providências para a fundação de um Clube Republicano, que unisse os amparenses na luta que agora se intensificava, clube este que deveria ser criado, nos mesmos moldes, em todos municípios paulistas.

Munido de diversos exemplares de “A República”, Bernardino partiu para sua cidade, com grande animação e a cabeça cheia de ideias.

VII – FUNDAÇÃO DO CLUBE REPUBLICANO EM AMPARO

Assim que voltou a Amparo, Bernardino passou a distribuir os exemplares do Manifesto e a convidar os simpatizantes da causa, para conhecimento e debate sobre as proposições ali contidas, em uma reunião em sua casa, no dia 20 de dezembro de 1870. No dia aprazado, sua mulher, Francisca de Barros Duarte, a doce D. Chiquinha, deixou a sala de jantar arrumada para a reunião, colocando mais cadeiras, providenciou bolos e biscoitinhos para servir com o café, a ser oferecido aos participantes e colocou as crianças mais cedo na cama.

Aos poucos foram chegando os convidados, curiosos para discutirem e opinarem sobre o Manifesto, já tão falado na cidade. O primeiro a chegar foi seu amigo e colega da Faculdade, José Pinto do Carmo Cintra que, para surpresa de Bernardino, vinha acompanhado de seu pai, Joaquim Pinto de Araújo Cintra. Este, que hoje entrava em sua humilde casa, era o poderoso cidadão e fazendeiro, do partido Conservador, que em 1894 seria agraciado por D. Pedro II com o Título de Terceiro Barão de Campinas, tentativa da monarquia para segurá-lo entre os conservadores, pois tinha-se notícias de que ele passara a simpatizar fortemente com os princípios republicanos. Tudo em consequência de tanto ouvir, com interesse, seu filho e o colega deste, Bernardino, expor suas razões, para que o Brasil passasse a seguir este regime de governo.

 

Residência de Bernardino de Campos, em Amparo, na ocasião, onde se assinou a fundação do Clube Republicano de Amparo, o segundo do Brasil, junto com o de São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim que a sala ficou repleta, Bernardino dirigiu-se aos quase trinta amparenses ali presentes, e lhes fez um resumo dos últimos acontecimentos políticos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Informou-lhes que o Clube Radical do Rio de Janeiro havia, em 3 de novembro de 1870, sido rebatizado e agora se chamava Clube Republicano do Rio de Janeiro. Como suporte para clube, foi criado um jornal e nele publicado, em sua primeira página um manifesto, que trazia os princípios do regime republicano.

Os exemplares do jornal “A República”, que havia trazido de São Paulo e havia distribuído aos mais íntimos, passaram de mão em mão, para que todos se inteirassem do conteúdo.

Bernardino emocionou-se profundamente com aquele momento, em que se começava a pôr em prática todos os ideais sonhados desde o tempo de estudante, nas Arcadas.

De acordo com o Manifesto, a meta agora seria conscientizar o povo brasileiro de que, a responsabilidade pela mudança da vida sofrida que levavam era somente deles. Era preciso arregimenta-los, esclarece-los. Apontar os erros do governo, a falácia de seus discursos enganosos, a corrupção sistemática, as leis que só aumentavam o poder de uma classe extremamente privilegiada, em detrimento de toda população.

Discutir os destinos da Nação era um Dever.

Bernardino, então, tomou a palavra e iniciou a leitura do histórico texto, que indicava os motivos de abraçar-se, de imediato, a luta pela mudança do regime monárquico, pelo republicano.

Isso era uma ação imprescindível, para saírem do estado de atraso e estagnação do Brasil.

Que se implantasse um sistema de governo baseado na adoção dos princípios que amparam a moderna Democracia.

Princípios esses que não eram respeitados pelo sistema monárquico, mas eram a base do sistema republicano.

O PRINCIPIO DA SOBERANIA POPULAR

O Manifesto esclarecia que, embora a Constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I, dispusesse sobre a liberdade individual do cidadão e a liberdade política, na verdade esses direitos não existiam. Tudo girava em torno de uma vontade única: A do imperador.

Os autores do Manifesto, organizados em seu Clube Republicano, perguntam:

“Temos representação nacional?”

E esclarecem:

“Seria esta a primeira condição de um país constitucional representativo.”

“Não há nem pode haver representação nacional onde não há eleição livre, onde a vontade do cidadão e a sua liberdade individual estão dependentes dos agentes imediatos do poder, que dispõe da força pública.”

Continua o Manifesto a expor as mazelas do sistema político, sob o qual viviam:

“Militarizada a nação, arregimentada ela no funcionalismo dependente, na guarda nacional pela ação do recrutamento ou pela ação da polícia, é ilusória a soberania, que só pôde revelar-se sob a condição de ir sempre de acordo com a vontade do poder.

Uma câmara de deputados demissível a vontade do soberano, e um senado vitalício a escolha do soberano, não podem constituir de nenhum modo a legitima representação do país.”

O Manifesto despertava também uma meditação sobre um dos bens mais caros aos indivíduos, e que só a representação popular poderia lhes assegurar:

A Liberdade

“A liberdade de consciência nulificada por uma igreja privilegiada;

a liberdade econômica suprimida por uma legislação restritiva;

a liberdade da imprensa subordinada a jurisdição de funcionários do governo;

a liberdade de associação dependente do beneplácito do poder;

a liberdade do ensino suprimida pela inspeção arbitraria do governo e pelo monopólio oficial;

a liberdade individual sujeita à prisão preventiva, ao recrutamento;

a disciplina da guarda nacional, privada da própria garantia do habeas-corpus pela limitação estabelecida.

Tais são, praticamente, as condições reais do atual sistema de governo.

Um poder soberano, privativo, perpétuo e irresponsável forma, a seu nuto (a seu bel prazer, a seu arbítrio), o poder executivo, escolhendo os ministros, o poder legislativo, escolhendo os Senadores e designando os deputados, e o poder judiciário, nomeando os magistrados, removendo-os, aposentando-os.”

Como reforço de seus argumentos de mudança, os republicanos lembram, em sua declaração, alguns pensamentos políticos dos escritores e defensores da Liberdade, através dos anos.

Bernardino lê, com ênfase, essa passagem do Manifesto.

“Quando a inteligência, a virtude, os serviços são preteridos e postos de parte; quando os perversos são galardoados com empregos eminentes, pode-se afoitamente exclamar com Sêneca”

“Morreram os costumes, o direito, a honra, a piedade, a fé, e aquilo que nunca volta quando se perde – o pudor”.

Lembram, mais adiante, que mesmo os Monarquistas por excelência, de Pernambuco, em 1868 publicaram em seu jornal O Constitucional:

“Tudo está estremecido: a ordem e a liberdade. Se o presente aflige, o futuro assusta”.

Terminada a leitura, os amparenses aplaudiram emocionados, ao sentirem que fora dada a partida para o início da luta pela causa a tanto tempo sonhada.

Ao lado do anfitrião, se encontrava Francisco de Assis Santos Prado fundador do ALMANAK DO AMPARO PARA 1872, que havia sido convidado por Bernardino, para atuar como secretário da reunião e tornou-se um dos organizadores do Clube Republicano de Amparo, que estava sendo inaugurado naquele dia.

Enquanto Francisco de Assis Santos Prado elaborava a ata da reunião, os participantes passaram a comentar e debater os princípios expostos no manifesto, aprovando-os inteiramente.

A certa altura, Bernardino pediu a palavra e disse:

“– Meus amigos, já a algum tempo, como tem acontecido em vários recantos do Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, o povo tem exposto sua insatisfação com a maneira pela qual vem sendo governado nosso país. Torna-se cada vez mais imprescindível a mudança do regime monárquico, para o republicano, para que possamos sair do estado de atraso e estagnação em que se encontra o Brasil.

Nossos correligionários do Clube Liberal do Rio de Janeiro, cinquenta e sete membros ao todo, liderados por Quintino Bocaiuva, Joaquim Saldanha Marinho, Aristides Lobo, Lafayette Coutinho, Pedro Soares de Meirelles e Flávio Farnese têm, como nós, proclamado a necessidade dessa mudança. Para tanto, em publicaram este Manifesto, que contém os princípios que regem um governo republicano e as razões porque devemos adotá-lo.

Em São Paulo, na reunião que se deu na Casa de Américo Brasiliense de Melo, ficou decidido que, em cada cidade da Província de São Paulo, todos aqueles que acreditam na implantação no Brasil deste novo regime de Governo deveriam dar um impulso ao movimento iniciado no Rio, começando com a criação de um clube, onde se possa organizar as ações necessárias, para propagar esta ideia.

Convido os presentes, que concordarem, com os Princípios Democráticos, que acabo de ler, a assinarem este livro, que se acha aqui sobre a mesa e que será o da fundação do Clube Republicano de Amparo, o primeiro de São Paulo, e o segundo do Brasil, após o do Rio de Janeiro.

Termina Bernardino sua exposição, dizendo: Faço, neste momento minha profissão de fé no Regime Republicano”.

Assim, ao assinar o livro que continha a ata dessa reunião, no dia 20 de dezembro de 1870, Bernardino foi seguido por seu amigo e colega da Faculdade, José do Carmo Cintra, filho do Barão de Campinas, chefe monarquista de Amparo, e por mais vinte e três dos cidadãos ali presentes, sendo aclamado como presidente e fundador do Clube Republicano de Amparo.

Esse Clube, que serviu de modelo para os que, em seguida, foram fundados em diversas cidades paulistas, pouco tempo depois, transformou-se no Partido Republicano Amparense, filiado ao Partido Republicano Paulista.

Em 6 de Setembro de 1872, João Tibiriçá Piratininga, Carlos Vasconcellos de Almeida Prado, seu irmão João Vasconcellos de Almeida Prado, Ignácio Xavier de Campos Mesquita e Antônio Francisco de Paula Souza, reuniram-se para fundar o Clube Republicano de Itu.

 

(Em CONSTRUÇÃO -CONTINUA) original

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