Targini nomeado
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NOMEAÇÃO DE TARGINI
Desde há muito tempo, ouvia-se na Corte notícias preocupantes, que chegavam sobre a má administração do antigo território da Capitania do Siará Grande, agora pertencente a Pernambuco.
A terra fora de difícil conquista, em virtude dos corajosos e indomáveis índios que ali viviam e defendiam suas terras dos invasores, que os chamavam depreciativamente de Tapuias, mas, na verdade, pertencentes às inúmeras e bem constituídas tribos, com suas culturas milenares, entre as quais as dos Tabajaras, Quixadás, Cariris e Potiguaras.
Também a invasão do Nordeste, pelos holandeses, de 1624 a 1654 impediu a administração da terra pelos portugueses, durante este período. Agora, com os índios, quase todos pacificados e os holandeses vencidos, os portugueses se instalaram inicialmente no Forte de Shoonenborch, deixado pelos invasores. Rebatizado como Forte de Nossa Senhora de Assunção, foi adaptado para ser o quartel e a sede do governo, por algum tempo.

Pintura do Forte Schoonenborch, desenhado pelos holandeses
Esquema do Forte desenhado pelos holandeses – 1649
Povoação de Fortaleza, com colégio dos jesuítas e Forte, desenhada por um padre jesuíta.
Desde 1726, quando o povoado do forte foi elevado à condição de vila e se tornou território da Capitania de Pernambuco, as administrações portuguesas se sucediam de maneira atribulada e insatisfatória. Os habitantes do Ceará sentiam-se muito prejudicados, pela dependência política e administrativa de Pernambuco.
Com a nomeação, em 1782, do fidalgo João Batista de Azevedo Coutinho de Montaury, como governador, com o título de Capitâo-Mór, o qual se submetia ao Capitão-General de Pernambuco, esperou-se que, pela sua severidade, a disciplina se imporia, mas a situação, em menos de um ano, somente piorou.
Com Montaury, fora nomeado o novo Ouvidor da Comarca, André Ferreira de Almeida Guimarães,
Como relatam diversos documentos apresentados pelo historiador Guilherme Studart, em seu livro “Notas para a História do Ceará”, sabe-se que Montaury era uma pessoa irritada, mesquinha, invejosa, provocador e cheia de ódios, que não admitia ser contrariado. Analisando-se sua trajetória de vida, hoje em dia, seria, talvez, classificado como de temperamento bipolar, com mania de perseguição.
Conta Studart: “Desde as primeiras partes oficiais escritas para Pernambuco e Lisboa, foi empenho de Montaury malquistar e demitir do emprego ao ouvidor, seu desafeto, e nesse intuito estava continuamente a assacar-lhe as imputações as mais graves e culposas, chegando a enviar para o Reino de uma assentada, cinquenta documentos comprobatórios de suas queixas..
No desejo de realizar os planos, que o ódio sugeria-lhe, lembrou-se Montaury de pintar aos políticos de Lisboa a Capitania nadando em sangue, abrasando-se em imenso incêndio de revolta e indisciplina, caso o ouvidor não fosse demitido”.
Estando as coisa neste estado, Francisco Bento Maria Targini, pela fama que tinha de possuir grande bom senso, além da erudição e competência administrativa, foi, como atesta Studart, ” nomeado, em 1783, como escrivão da Provedoria da Capitania do Ceará, mediante Patente Régia de Sua Magestade, a Rainha D. Maria I, com todos privilégios que o alto cargo trazia, e com ordenado igual ao soldo do Capitão Mor e Governador”.